
Anos a correr passam, por nós mortais, pela vida que tentamos querer, por tempos e momentos. Construímos amizades, depedimo-nos de empregos fajutos, namoramos com tipos fabulosos (outros menos), encontramos-nos, relevamo-nos. Para mim, há sempre algo que impera, os amigos, os meus resistentes amigos, os meus poucos e únicos comparsas farsolas bem dispostos. São aqueles que ficam, que nos vêem chorar à parva, que nos fazem rir à tola, que nos encontram a cair de bêbada ou ligeiramente tocada, até mesmo é-lhes consentido o direito de nos ver a engasgar em pedacinhos de pão ao jantar. Aqueles que não se importam de continuar a conversar connosco, mesmo quando temos uma ramela bem manhosa no olho. Amigos. Os grandes amigos, aqueles que passamos meses sem falar mas que estão a um passo de uma mensagem de alento saudoso. São aqueles que recebem postais nas férias dos locais idiotas que pernoitamos. São só amigos. São muito. São meus. São o reflexo do que gosto, do meu amor e a minha essência.
Eu perdi um amigo recentemente, doeu. Não veio nas notícias, não foi importante para ninguém, só eu senti a sua ausência. O lugar vagou sem a minha permissão, chorei, pois um bocadinho de mim foi-se sem saber ao certo a razão. A emoção fica, registada num todo, num largo e eterno sempre, pelas recordações maravilhosas de alguns anos de confidências, sem qualquer tipo de hesitação e exigência. Uma partilha singela de pura amizade.