Penso naqueles em que larguei o tempo, ganhou pó. Dos que escaparam, dos que ficam. Limpo a pronto, com tempo e horas. No entanto, lembro sempre as formas em que terminam, do choro que passa a a ironia. Da gargalhada que fica engasgada.
Da proxima vez que alguém tecer comentário mordaz em volto da quantidade exagerada de sapatos sapatos no meu closet, certamente direi, "São modestos vasos de meu Jardim do Eden, querido!"
Impressionante como conseguimos reinventar-nos sistematicamente. Sem desculpa de perder a identidade, somos maturação de uma dimensão própria infindável. Genuína mente percorremos a saudade da memória de um imaginado estar, que nunca é. Há alturas que temos de largar e perdoar a latitude de ser mais que o plágio de perfeição. Caminho atribulado e resilente, mesmo quando deparamos com nobres sentimentos.
Gosto de pequenos-almoços de inícios de Outono, não chegam a ganhar sustância pois ainda se transpira no preparar da cevada com leite e torrada aparada na torradeira antiga mas, partilhamos sempre algo, nem que seja um olhar de cumplicidade ao alheio frio.
Há recordações que prevalecem na memória de tão antigas, tão suplantadas e conservadas em espaço memorial esconso, que necessitamos de um saca-rolhas especial para as puxar num momento próprio, de outro tempo, com o requinte de pano branco dobrado no braço a preceito.
Adoro perceber quando os machos latinos do nosso cantinhorectangular traumatizam quase por uma vida inteira sobre o abuso precoce das mulheres demónio do passado, quando chega a nossa vez, quase sempre estão sem pilhas ou estão avariados.
Mas a garota continua na sua eterna Primavera. Sem destroços de monarquias autoritárias passadas, apenas esfarela um contentamento para o presente que lhe é dado ao momento. Merecedor, a seu ver!