sexta-feira, outubro 19, 2012

Confissão de trintona avançada


Todos que me conhecem acham sempre que meu já pai faleceu ou está noutro país ou se calhar não existiu. Na verdade, meu pai foi a figura familiar mais ausente em toda a minha existência, conseguiu fazer o impossível, destruir toda a inocência e bondade daquele que se chama amor incondicional. Ele está vivo e bem vivo, sempre esteve e na capital. Só não tinha tempo para despender a quem tinha perfilhado anteriomente. O dito "paí", arrasou-me desde muito pequenina, primeiro aos 5 anos de idade, depois aos 14 mais tarde aos 18 e por fim aos 24 anos, isto para que se entenda que houve tentativas de aproximação. Hoje, com 38 anos, percebo que nunca tive um telefonema de parabéns, um "Olá filha, como estás?" ou um agrado em forma de presente, uma surpresa. Nunca. Até podem pensar, se calhar o senhor passava dificuldades. Pois, não era ou é o caso. O Senhor em Questão sempre teve dinheiro, cacarejo,  pilim e muito, juntamente com um coração recheado de cobardia. Lembro-me em pequena, vivia em dificuldades com a minha mãe e irmã com um simples ordenado (era dinheiro contado, nunca faltou nada essencial) meu progenitor apresentava-se em casa onde de vivia de Porsche com uma ladainha que não tinha dinheiro para mandar cantar um cego e por isso não podia ajudar nas despesas.  Hoje em dia, dono de um dos mais prestigiados colégios de Palmela, continua a viver em dificuldades sérias. É notável, saber que durante a minha vida toda nunca pude contar com os seus préstimos, carinho ou amizade. Nem sequer da sua família conheci e muito menos do seu cuidar monetário, esse abuso tributado.
Este desabafo, apenas serve de pensamento: O meu pai, na realidade foi o meu avô materno, Jordão. Figura que me ensinou a perdoar constantemente os erros consecutivos do meu pai e que achava que um dia ele iria reconciliar justamente com a filha dando um futuro desafogado às netas. Não aconteceu, Avô Jordão. Tudo que tenho foi conquistado a pulso e com o suar de dificuldades sem qualquer tipo de apoio ou cunha paternal. Sinto-me bem por ter feito, mas sei que podia estar a ganhar 7.000 euros mensais se engolisse a alma e prostituísse o meu orgulho ligando ao meu pai e mentisse: dizendo que ele estaria perdoado por todo o mal que fez a esta rapariga e toda a mágoa que causou. Não há capacidade para tal, mas queria deixar bem claro para todos que possam ler isto, até mesmo ele, independente de que possam julgar infelizmente ainda uso o seu nome, Simão. 


4 comentários:

Junta-te ao clube disse...

BJO GRANDE!!!!!

Ass: Gattaca

Cátia Simão disse...

Muah!

www.camuflagens.blogspot.com disse...

Calhei. Encontrei. Gostei.
Mas mais palavras não tenho, por isso saio devagarinho e deixo um abraço!

Armando Simao disse...

Quanta saudade e quanta tristeza por tudo o que aconteceu.
Há sempre dois lados na moeda e da Cátia eu entendo o do Simão, não tem importância.